segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Hikikomori


(27 de outubro de 2011)

O que estás pensando nesse momento, meu digníssimo amigo? Andei procurando uma brecha entre os escombros que minha vida tem sido. Não acho sequer um bom lugar para dormir. Ando numa guerra sem fim: Apresento-o o soldado que vos escreve, amigo! Você nunca mais me escreveu. Será que as trincheiras tão sórdidas tem sido teu túmulo? Onde estava aquela vontade de viver, quando estávamos jogando bola em frente aquela casa, que ainda paira na memória? Dos dias em que você era imortal. Ninguém te derrubava, nem mesmo a menina mais bonita da escola, que se engraçou pro teu lado e você se fingiu de morto. Dos planos que não eram planos. Das bandas e sucessos que poderiam te fazer um novo Rockstar, mas você preferiu guardar tudo na gaveta das recordações. Eu estou aqui, meu amigo, lutando por você, não vou te deixar sozinho nessa! Onde anda aquela menina tão linda a qual tu eras apaixonado? Está casada, com outro em seu leito e tu apenas escreve pra sobreviver por uns míseros trocados. Carne mal passada. Bruxas interiores. Tudo e nada vivestes nesse período.
O problema, meu velho amigo, é que hoje você vive nem no nada nem no tudo. Na mediocridade da vida adulta, em fazer planos alados pra daqui a 20 anos, eu ter que voltar e dizer que você não deixou de ser aquele menino da travinha na rua de trás. Que provavelmente enganou seu irmão mais novo e lhe surrupiou pelo menos 10 bolas de gude, 8 peões e sei lá quantas garotas. Tu que achava que eras feio e nunca iria arrumar uma menina. Arrumaste, perdeste. Arrumaste de novo, perdeste outra vez. O que você pensa que sabe sobre o amor? Ingênuo, achou que as meninas que você acha que são bonitas iriam ler esses teus textos baratos e iriam te chamar no bate-papo das tuas redes sociais. Que verdades doloridas hein, amigo?! Nunca, mas nunca mesmo, se desfaça de uma boa amizade. Nos 80, você vai saber o que é. E a faculdade? Encontrou novos e velhos amigos, mas nenhum deles chega aos meus pés, tu sabes. Eu sou aquilo que você pensou ser, mas nunca vai ser porque não quis. Ou apenas aquilo que você nunca quis ser. Enfim, sou seu melhor lado e seu pior.
Até as próximas cartas, amigo! Sobreviva até lá

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