segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Vendeta
(15 de julho de 1991)
Boa noite! Eu demorei um bocado de tempo pra vir te escrever de novo e te contar sobre o que aconteceu desde a última vez que nos vimos. Andas a esmo, sem destino certo. Vagando entre dois copos de cerveja e um oi em um bar da esquina. Volta pra casa e dorme. Acorda e vai trabalhar. Onde está aquele meu amigo que duvidava dos padrões medíocres postos pelos maiorais lá de cima? Será essa a tua Vendeta? O teu prato principal que irás degustar com teus maiores inimigos? Não sei ao certo o que tu pensas em fazer, afinal estou em sua mente, mas você mente pra mim. Vive me confundindo. Quando acho que estais fazendo o correto, você surta e volta para o início da caminhada. Quem era quando queria colocar fogo no parlamento não é mais. Agora, solta tua máscara e deita nos braços morenos de tua amada, pois não tens dinheiro pra voltar pra casa de metrô. Talvez pague a passagem até a metade do caminho, mas nunca irá chegar ao destino. Eu sou apenas uma ideia. Quando me chamares, temo não está mais aqui. A escuridão é gelada demais e esses teus pensamentos mesquinhos me afogam dia após dia. Entorpecem-me de morbidez, de refluxo. Por favor, não jogue esses teus 23 anos no lixo mais uma vez. Prova que eu estou errado. Eu sou uma ideia, nada mais. Ama teu cajado e teu escudo, nunca te desfaça deles, pois são tão preciosos quanto tua vida. Tua vendeta te espera mais fria do que nunca, se seguires o que digo. Mas não atente contra os inimigos que você acha que são os seus verdadeiros. Esses são os que não deram ouvido a voz que assim como eu, falo por meio desse veículo. Mantenha tua cabeça firme e teus olhos abertos para aqueles que tentam te ludibriar. Atenta pra tua desforra, não impregne com esses manjares sujos o teu manto. Assim terás encontrado o teu caminho de volta para o Absoluto.
Se no final dessa caminhada, tu achares que eu sou a tua vendeta, tua arma, sabereis que andou fazendo as escolhas erradas. Mas eu te alertei. Não tem desculpas, não tem nenhuma brecha que você possa se encaixar para me desmentir. Nesse dia, você se tornará sua própria vendeta; eu, por fim, entrarei sublime nos campos da primavera eterna e tu voltarás ao ciclo para aprender com os elementares.
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