segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Memento Mori




(12 de Janeiro de 1999)

Então meu bom amigo! Eu retornei. Estou novamente aqui pra te dizer que andava pensando que era deus, que podia fazer coisas inimagináveis. Não! Eu digo que você é limitado, mas não conhece essa fronteira ainda. Podes ir longe só que um dia irás esbarrar numa parede abstrata. Esse será o seu limite. Nem tentes ser a vítima, apenas o carrasco. Eu sou você; porém às vezes acho que sou teu algoz e teu salvador. Imagina só: tu percebeste de repente que erra! Então repito infinitamente a expressão que encontrei jogada na tua porta de entrada para a posteridade: Memento mori. "Lembra-te de que és mortal". Nada mais sugestivo, não é caro amigo? Algumas pessoas que assistem ou leem nossas conversas acham que sou ruim, que sou um patife e que toda essa conversa é um prólogo pra uma desavença eterna. Bobagem. Sou eu que te salvo das mais diversas enrascadas que se propõem a te engolir. Sou que te acordo na madrugada e te faz refletir sobre o que falaste pr'aquela tua amiga, que tanto gosta de ti. E você às vezes fala mais do que devia, pensa menos no que é certo. Eu estou aqui pra ver tudo isso. Não temas as batalhas. Se você morrer alguns sentirão falta. Outros, porém, estarão comemorando ao som dos inebriados. Morro de frio aqui dentro, só porque tu nunca estás disposto a conversar. Memento mori pra você. Que acha que vai ter o nome gravado numa estátua e depois vai ter uma recompensa por isso tudo aqui. Não se iluda tão facilmente meu amigo, a vida é tão sofrível quanto a morte. Acho que até mais que ela. Não se abstenha em diversificar tuas companhias, mas sinta que um dia elas vão deixá-lo por algo a mais que você provavelmente não tem ou tem mais não sabe que tem. Veja que esse é um problema central. As verdades que todos têm medo de dizer, eu digo a você. Porque medo de dizer a verdade é para aqueles que enxergam a vergonha alheia. Acham que mentir pra confortar é o mesmo que omitir. Omitir é uma mentira que não saiu do útero da falsa mãe, da mentira. Amigo meu, não te preocupes em mentir para se salvar, apenas preocupe-se na mentira que irás se transformar. Mentir pra mim você não pode. Então não vou mentir pra você também. Quem dera que os outros tivessem seus amigos como eu e você com tanta abertura pra se falar o que pensa. Não, isso não é um monólogo! Se tiver algo a falar, fale, Beije-me quando for dormir nos teus átrios. Mas não me deixe calar em um só momento. Faça de mim o que eu sou: você!

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