segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Vox nihili
(16 de Janeiro de 1951)
Olá, tem alguém aí? Não consigo ouvir minha voz, estou mudo, mas continuo a bravejar. O que será que acontece comigo? Meu amigo, quando foi que tu decidiste escrever de volta aquelas cartas que eu mandei faz um bom tempo? Não me venha com esse papo absurdo de que nossa conexão é atemporal. Absurdo mesmo sou eu ainda querer te escrever alguma coisa. Essa semana sentisse saudades da tua ex-amada. Aquela que te deixou sem explicação plausível. Na verdade, a única explicação (plausível ou não) foi de que tu não foste preparado pra nadar em águas rasas. Que essas águas muita das vezes estavam truculentas e você, como um bom timoneiro, ainda tentou guiar esse barco até o cais. Só você não enxergou que ele já havia afundado. Não a culpe: ela é apenas uma das muitas que virão. Virão algumas Helenas de Esparta, outras Medusas, outras Afrodites e muitas, mas muitas outras sem denominação greco-romana. Eu tento te alertar, mas não consigo ouvir minha voz ressoar na tua mente. Você me apagou dos seus contatos. Isso é triste, eu queria apenas te dar o queijo, porque andas com a faca na mão.
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