segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Olá, meu bom amigo!
Como estas meus amigo? Já se passaram 23 anos que nos vimos. O que tens de novo a me mostrar? (risos) Nunca fostes me visitar, será que foi falta de tempo? Não, não acredito nessa sua desculpa esfarrapada, nesse teu jogo antiético de mímicas que ninguém, digo ninguém, entende. Eu entendia. Mas hoje permaneço burro e invisível. Há 23 anos que você se quer escreve uma carta pra mim. Seria demais pegar o papel e o lápis e escrever uma palavra? Não peço gentileza, não fui um dos seus melhores amigos. Inclusive, tivesse melhores amigos do que piores inimigos. Tirando eu, que me tens como tal inimigo mortal e indigesto. Mas mesmo assim, faço tudo pra te ver feliz. Vi todos os seus choros de longe esse tempo todo. Nunca me agradecestes. Mas continuo fiel. Ah, vi também os teus amores nascerem e morrerem, vi você cantar na chuva, no chuveiro. Vi você arriscar e desistir de tudo que lhe convinha. E hoje o que és?
Tens realmente vontade de me encontrar? Não consigo entender porque não. Sou ainda aquele que te deu os melhores conselhos que nenhuma outra pessoa poderia te dar. Nem mesmo teus pais. Nem tua irmã mais velha, que hoje partilha da dor da saudade da família. Nem teu pai que vive trabalhando noite e dia achando que vai ser salvo por alguém quando tudo isso acabar. Nem tua mãe que batalha pra ter o melhor para tu e teus irmãos e mesmo assim ninguém reconhece. Eu reconheço. Nem teu irmão que ainda experimenta tuas dores de outrora. E faz tudo como manda a receita. Mal de tua família. E tuas namoradinhas? A primeira, tu amaste em silêncio por que era clichê demais dizer eu te amo para quem ainda se conhecia. Ela te deixou com uma dívida externa e interna de duas semanas de tristeza mórbida e músicas melosas. A segunda, tu passou por cima como um trator. Nem foi homem suficiente para amá-la, mesmo sabendo que ela sim, poderia te fazer feliz. Espero que as próximas tenham destinos melhores.
E por que jogo a merda no ventilador? Porque sou teu verdadeiro amigo. Nunca te deixei. Nunca fiz você esperar por mim. Nunca tive que ir embora. Mas você me deixou bom amigo.
E nem adianta prolongar essa carta. Tu, que sabes melhor como ninguém o que é ser infeliz e o revés, sabes que ainda volto a te escrever.
Com amor, Eu!
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